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Som das Memórias
Ep. 1 - O latoeiro da Sé de Viseu
O primeiro episódio de o Som das Memórias anda à volta da história de António de Jesus Carvalho, latoeiro junto à Sé de Viseu há 66 anos.
Tem 89 anos e viajamos pela história da sua vida como latoeiro. Começou cedo com o padrinho que já tinha uma oficina de latoaria, mas o querer aprender mais e melhor fê-lo sair rápido debaixo da asa da família e voar sozinho.
Os seus pássaros fazem-lhe companhia. São hoje mais do que os clientes. Curiosos há muitos, mas clientes há poucos, tal como pessoas que queiram aprender este ofício que António de Jesus Carvalho chama de arte.
"Faço aquilo que se vende. Estou a fazer rocas para apanhar fruta e aquilo são assadores para as castanhas", conta o octogenário.
Enquanto puder e tiver forças vai continuar pela oficina e pelo ofício. "Já fiz 89 e não posso muitas coisas. O negócio já foi, já não é. Morreu nesta rua e em vários lados", diz com tristeza.
O turismo vai ajudando o negócio, mas não chega para sobreviver. "As pessoas chegam, veem e não compram, acham tudo muito caro, mas eu para mim, que as faço, acho-as muito baratas", acrescenta.
Fotografias muitas, mas comprar pouco.
Este episódio teve a produção de Inês Gomes, Madalena Magalhães, Rebeca Silva e Rodrigo Machado, alunos do 3º ano de Comunicação Social da ESEV, com a supervisão dos docentes Miguel Midões e Teresa Gouveia.
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6. Ep. 6 - Exorcismo em Vera Cruz e a estória do "homem cão"
15:06||Season 1, Ep. 6Este episódio é uma viagem à terra de Vera Cruz, no Alentejo, no concelho de Portel, onde costa que está uma parte da cruz de cristo, que "não se consegue situar no tempo" e saber "quando aquela relíquia terá chegado" a este local alentejano.Uma terra rica em história e em estórias. Nos anos 50, um grupo de pessoas trouxe para a igreja um homem que corria, saltitava e a ladrava como um cão. "Só o conseguiram trazer preso por uma corrente. O pároco na altura disse para levá-lo à capelinha do Santo Lenho, fez o ritual que a igreja exige, o exorcismo", conta o padre José Lelo. O rapaz, "que tinha perdido a humanidade", não tinha consciência dos oito meses que viveu como um cão. A estória do do homem cão, que ladrava como os cães e que "foi apanhado no meio das ovelhas" perdurou no tempo. "Aquilo era uma força enorme", conta um dos habitantes da aldeia.O padre José Lelo refere que "exorcizar" vem do latim e significa "retirar espíritos maus" e que hoje tudo parece que se enquadra no domínio da ciência e que é explicável, mas há casos que vão para além disso, "fora do normal, fora do comum". Neste episódio partilha uma das suas estórias de exorcismo."A igreja confere esses poderes [do exorcismo] a todos os sacerdotes, que podem exorcizar, mas acaba por haver sacerdotes específicos para fazê-lo", diz.Maria Rosa Madeira Mata é uma historiadora local e conta "os males que atormentam as pessoas" desta terra do concelho de Portel e da sua história que remonta a 1258 quando Dom João Pais da Cunha instala um senhorio naquela zona e começa a ter interesse num mosteiro que estava abandonado ou em maus estado".
5. Ep. 5 - Barbearia à moda antiga é um lugar de reencontros e "de corte"
11:07||Season 1, Ep. 5António Loureiro é o dono e fundador da Barbearia Loureiro, que nos últimos seis anos conta com a ajuda do filho."Gosto de mudar e melhorar o visual das pessoas", diz o mais novo. "É uma amizade que se cria ao fim de alguns anos", refere o mais velho.A barbearia é um sítio de reencontros. Há pessoas que não se viam há anos e que, de repente, voltam a unir-se por causa de um corte de cabelo."É bom, mas temos discussões. Por isso, em casa tentávamos não falar sobre trabalho", conta o filho do dono da barbearia.O pai já tem quase 40 anos de experiência, já o filho tirou um curso e aproveitou também a experiência do pai. "Os cortes vão evoluindo, a vontade das pessoas e as modas", referem.Ao longo dos anos não faltam situações caricatas que viveram. Neste episódio pode conhecer algumas.Este episódio conta com a produção de Mariana Santos, Gustavo Lourenço, e Daniel Oliveira.
4. Ep. 4 - Um dentista de burros, a importância dos asnos e o seu entorno social e cultural
24:34||Season 1, Ep. 4Há 55 milhões de burros em todo o mundo, a maior parte em África.Em Portugal, o burro já foi um animal fundamental na agricultura. Agora, continua a sê-lo sobretudo nos países pobres.João Brandão Rodrigues é veterinário e especialista em saúde oral de burros, uma especialização que resulta do doutoramento que fez, com trabalho de campo no Nordeste Transmontano e na região oeste de Zamora, em Espanha.Neste episódio, viajamos pelas histórias de João Brandão Rodrigues e a "descobrir esta ruralidade e o papel que os burros têm nesta comunidade do Nordeste".Era uma área de tal forma pouco estudada que se tornou o seu doutoramento. "Vi muitos animais e os animais foram tratados. Permitiu ter dados de animais que nunca tinham sido tratados e perceber como as doenças evoluem ao longo da idade dos animais", explica. Um trabalho de anos com o burro mirandês e o burro zamorano leonês, que lhe permitiu ser agora uma referência nesta área. Além disso, valoriza as pessoas humildes e afáveis que sempre o receberam muito bem no Nordeste Transmontano. A especialização em dentição de burros já o levou a países como Nepal, Marrocos, Chile, México, Perú, entre outros.Este episódio do Som das Memórias teve a produção de Mariana Nogueira, Ana Miguel Sousa e Mafalda Oliveira, com a coordenação dos docentes Miguel Midões e Teresa Gouveia.
3. Ep. 3 - O amolador do mercado do Bolhão
15:37||Season 1, Ep. 3O "suor" do trabalho de um amolador à moda antigaNo episódio de hoje, o terceiro, vamos ao Mercado do Bolhão, no Porto, onde ainda hoje existe um amolador... facas, tesouras e outros objetos cortantes.André Fernandes está no mercado do Bolhão há mais de 20 anos, mas é considerado o mais jovem amolador do país. divulgar a sua cutelaria, assim como dar continuidade ao negócio de família, levando-o a percorrer o mundo. "Divulgar a sua cutelaria, assim como dar continuidade ao negócio de família" é o que o tem levando a percorrer o mundo como amolador, uma tradição portuguesa que tem caído em desuso."Vejo o Mercado do Bolhão como a minha segunda casa", diz. Segue as pegadas do pai e do avô e desde 2012 passou a estar sozinho. Em 2020 começou a fabricar cutelaria para preencher o trabalho de amolador."Muito suor", pois mesmo depois do mercado, o trabalho continua na garagem de casa, porque "quando há filhos para criar temos de esgravatar para eles", afirma.Este episódio tem a produção de Nuno Araújo, Rodrigo Caetano, Soraia Ferreira e Daniel Silva, com a supervisão dos docentes Teresa Gouveia e Miguel Midões.
2. Ep. 2 - As saborosas estórias à volta do pão fermentadas no Museu do Pão (Seia)
12:10||Season 1, Ep. 2O segundo episódio do podcast Som das Memórias leva-nos numa viagem pelo Museu do Pão, em Seia, por estórias saborosas à volta do fabrico do pão e da sua importância na cultura portuguesa.De portas abertas, este espaço, que surgiu da "ideia base surge de um grupo de professores e com a coordenação do mentor, António Quaresma", passa por 300 anos da história em que o pão assume um papel central (sendo o judaísmo e o cristianismo as religiões em que o pão assume um papel central).As memórias da colheita do cereal, a moagem, o amassar, o enformar... Graça Reis, diretora do Museu e Cláudia Pessoa, técnica do espaço, fazem as honras da casa e fermentam nos ouvintes, pelo som do Museu, o despertar da vontade para uma possível visita ao espaço. "Temos exposta uma ovelha deita em filigrana, em tamanho real e que mostra aquilo que é a nossa serra", explica a diretora, para mostrar que a Serra da Estrela é também sinónimo de outras iguarias, como o queijo DOP, de denominação de origem portuguesa."O pão sempre foi a base da alimentação dos portugueses", diz Cláudia Pessoa. Neste episódio também pode ficar a saber que o Museu já "comeu o pão que o diabo amassou" para hoje ser uma referência no turismo da região. "Ninguém preserva o que não conhece e ninguém abdica de um prato de comida para ir a um museu", sublinha Graça Reis.Por ano, 100 mil pessoas passam pelo Museu do Pão, em Seia, mas o "pão" quer crescer mais. "Há sempre novidades que vamos trazendo a público e há uma necessidade de remodelar e de apresentar os conteúdos de forma diferente", acrescenta. "O estar e vir ao Museu do Pão obriga as pessoas a parar e a conversar umas com as outros, partilharem as histórias de objetos que lhes são comuns, sobretudo com os mais novos", diz.Este episódio teve a produção de Carolina Vicente, Beatriz Fonseca, Inês Brás e Mariana Silva, alunos do 3º ano de Comunicação Social da ESEV, com a supervisão dos docentes Miguel Midões e Teresa Gouveia.