Filosofia Vermelha

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A indústria cultural em Adorno e Horkheimer

Season 2, Ep. 1

O conceito de indústria cultural serviu para designar, inicialmente, o complexo industrial e comercial de produção e distribuição de bens culturais na Europa e nos EUA desde a as primeiras décadas do século XX. Por este conceito não se deve compreender os dispositivos eletrônicos em si, tais como rádio ou televisão, mas sua apropriação pelo capitalismo monopolista e seu emprego através de uma lógica de produção de bens culturais.


Nosso curso de introdução à filosofia, com certificado de conclusão ao final: https://www.udemy.com/course/introducao-a-filosofia-dos-pre-socraticos-a-sartre/?referralCode=51CAB762A412100AFD38


O objetivo inicial da indústria cultural era, além de lucrar com uma ótima oportunidade de negócios, também estabelecer padrões de comportamento em massa, já que a organização dos trabalhadores, forte naquela época, representava um perigo real ao capitalismo.


Este sistema buscava não apenas influenciar a demanda por determinadas mercadorias, mas também tornar minimamente previsíveis o comportamento social e político das massas.


O principal texto em que a indústria cultural é discutida por Adorno e Horkheimer é um artigo que se encontra na obra Dialética do esclarecimento, intitulado Indústria cultural: esclarecimento como mistificação das massas.


Algumas das características da indústria cultural que abordamos neste vídeo são 1) a expropriação do esquematismo, 2) a classificação de cada indivíduo em um “estilo” e 3) o fetichismo dos bens culturais.

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9/1/2021

Contra fatos não há argumentos?

Season 2, Ep. 5
Dizer que "contra fatos não há argumentos" parece ser uma afirmação devastadora. Quem usa este clichê geralmente pretende encerrar a discussão como seu vencedor inconteste. A ideia é queuma referência à "realidade" seria capaz de provar a validade do que se está debatendo, pondo fim a meras e frágeis especulações teóricas.Nosso curso de introdução à filosofia, com certificado de conclusão ao final: https://www.udemy.com/course/introducao-a-filosofia-dos-pre-socraticos-a-sartre/?referralCode=51CAB762A412100AFD38Este recurso tem alguma força, contudo, apenas em um debate entre "consciências ingênuas", como afirmava o filósofo alemão George Wilhelm Friedrich Hegel. Seus leitores sabem que os "fatos", na verdade, não são tão "fatos" assim.Afirmar que "contra fatos não há argumentos" pressupõe que é possível ter acesso direto à realidade, de forma imediata (sem mediações). Este nível de consciência é tão elementar que, em sua "Fenomenologia do Espírito", obra que descreve a "experiência da consciência" em sucessivos estágios, Hegel lhe coloca logo no primeiro capítulo.Ao final, indicamos também uma obra de Theodor Adorno na qual ele discute em vários pontos a oposição entre dialética e positivismo, mostrando que os "fatos", embora ingenuamente considerados tão "concretos", são na verdade abstratos. O termo "abstrato", em Hegel, significa não aquilo o que geralmente se entende no cotidiano, como algo imaterial, por exemplo, mas sim aquilo que é isolado, que ainda não foi refletido, que não foi considerado em suas contradições internas e em sua relação com o todo.
8/27/2021

A ciência refuta a religião?

Season 2, Ep. 4
A ciência trata de fenômenos da experiência, e Deus, o principal objeto da religião, não é dado na experiência. Qual área da ciência poderia dizer qualquer coisa sobre Deus? A física? A química? A biologia? A astronomia? Nenhuma delas. Qual área da ciência poderia "refutar" os principais postulados metafísicos da religião? Ora, se são metafísicos, isso significa que estão além da experiência, e a ciência simplesmente não pode dizer nada sobre o que está além da experiência.Nosso curso de introdução à filosofia, com certificado de conclusão ao final: https://www.udemy.com/course/introducao-a-filosofia-dos-pre-socraticos-a-sartre/?referralCode=51CAB762A412100AFD38O trabalho de refutação dos postulados metafísicos da religião só pode se dar através de uma crítica da metafísica, e isso é tarefa da filosofia, não da ciência. Ademais, este trabalho só pode ser negativo, já que não é possível provar a inexistência de qualquer coisa. É necessário mostrar, como fez Kant, os limites do que é possível conhecer, a arquitetônica de nossa razão e por que somos levados a formular determinados conceitos devido à estrutura da razão e do entendimento. Por que, por exemplo postulamos o sistema de causa e efeito, por que nossa razão leva necessariamente a uma ideia de absoluto, etc.A luta entre ciência e religião é como uma luta entre um ser material e um fantasma: as armas da ciência atravessam o espectro da religião sem atingi-la. Aqueles que defendem a "vitória" da ciência sobre a religião ainda não entenderam a natureza do debate, e sua adesão à ciência não é menos dogmática que a de seu oponente à religião.