{"version":"1.0","type":"rich","provider_name":"Acast","provider_url":"https://acast.com","height":250,"width":700,"html":"<iframe src=\"https://embed.acast.com/$/6a10275911eba3cf159d825d/6a10293380978431dae77753?\" frameBorder=\"0\" width=\"700\" height=\"250\"></iframe>","title":"Ep. 5 — Quando o que tens nas mãos são vidas","thumbnail_width":200,"thumbnail_height":200,"thumbnail_url":"https://open-images.acast.com/shows/6a10275911eba3cf159d825d/1779443980030-b7491af7-1aaf-4d00-83e4-27cfea456fb8.jpeg?height=200","description":"<p><br></p><p>Sara Marques acabou de sair da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro com a licenciatura em enfermagem. O primeiro posto de trabalho foi na Unidade de Cuidados Continuados de Sabrosa, onde os utentes chegam fragilizados a dois níveis - o corpo e a cabeça -, e onde os turnos não têm horas certas. \"Não estás com a família desde as três da tarde até ao dia a seguir às 8 horas da manhã. Tens que lidar com todo o tipo de personalidades, vemos muito pouco e ainda estamos a correr vários riscos.\"</p><p>Há três turnos: manhã, tarde e noite. O mais exigente é o \"tarde-noite\" - domingo à tarde até segunda de manhã. Na manhã, banhos e colheitas. Na tarde, conforto e fisioterapia. Na noite, vigília. \"Quando estás ali, o que tu tens nas tuas mãos são vidas, não são objetos.\"</p><p>Sara ainda não acompanhou nenhuma morte em serviço, mas fê-lo durante o estágio. Descreve a experiência como a necessidade de colocar uma capa: \"É como se naquele momento existisse uma capa muito grande que tu metes, e parece que estes sentimentos estão ali prontos. Tu não te podes deixar afetar por aquilo.\" A parte mais difícil, garante, não é ver, é dar a notícia à família.</p><p>O que a mantém no trabalho não é o salário - \"o que nós recebemos hoje em dia, os subsídios de risco que nós não temos, os horários sobrecarregados\" - mas a razão simples de gostar de pessoas. \"Continuar a prestar os meus cuidados enquanto conseguir, até porque gosto de conviver com pessoas.\"</p><p><strong>Este podcast contou com a produção de Pedro Sousa, Martim Pinheiro e Diogo Sousa, com a coordenação de Miguel Midões e Teresa Gouveia.</strong></p>","author_name":"Miguel Midões"}